Viagem entre os refugiados rohingya fugidos de Myanmar

2017-11-16 Rádio Vaticana

O drama dos rohingya continua, a poucos dias da visita do Papa ao Myanmar e Bangladesh. Em Cox's Bazar, pequena cidade do Bangladesh, na fronteira com o Myanmar, o Inverno está a chegar. Esta cidade abriga os maiores campos de refugiados improvisados dos rohingya. São cerca de 500 mil aqueles que em Kutupalong começam a tremer de frio após a fuga do passado mês de agosto.

Alberto Quattrucci, da Comunidade de Sant'Egidio, visitou, no início do mês estes campos, para levar medicamentos, equipamentos sanitários e alimentos de primeira necessidade. Este membro da Comunidade de Sant'Egidio, falou à Rádio Vaticano na reportagem do jornalista italiano Alessandro Di Bussolo:

“A situação é de pessoas a quem falta comida, faltam roupas, porque começam as chuvas e tudo se torna em lama; à noite a temperatura cai, não há remédios, há infeções, porque não há água. Há 250 mil, talvez 300 mil crianças, as famílias são muito numerosas. São muitas as crianças pequenas, totalmente nuas, que morrem porque bebem água do mar. Portanto, é uma situação realmente dramática onde muitas ONG’s começaram a trabalhar, mas não há absolutamente nenhuma coordenação. Há também a grande questão sobre o futuro do povo rohingya, de mais de um milhão de pessoas, considerando os primeiros que chegaram em 1982, quando Myanmar lhes tirou a cidadania. Desde então, eles são apátridas, o maior número de apátridas do mundo: mais de um milhão de pessoas, entre aqueles que chegaram em 1982, em 1991, e os mais de 600 mil que chegaram de 25 de agosto até hoje. E esta hemorragia não acabou, porque há ainda 250 mil, talvez 300 mil que estão em Rakhine, a área de fronteira, e que provavelmente estarão a chegar”.

“O que eles pedem é a cidadania novamente para regressarem a Rakhine, regressar às suas casas e, portanto voltar. Mas isso é muito improvável por aquilo que se vê e que se ouve, porque parece que essa área em Myanmar, já terá outra destinação, do ponto de vista económico. A minha impressão, desta primeira viagem, é que eles podem-se integrar muito bem no Bangladesh, não só por uma questão de língua, de fé e de religião islâmica, mas também porque eles são realmente pessoas que trabalham muito. Quem entra nestes campos não vê ninguém parado, pois eles constroem abrigos com bambus, com plásticos, procuram água, mesmo que não exista onde encontrar. É uma população muito ativa. Além do mais num Bangladesh tão pobre, poderiam ser, graças a tantas ajudas internacionais atraídas pela atenção sobre os rohingya, uma possibilidade de um futuro comum. Falei com o diretor de saúde do pequeno hospital de Cox's Bazar, a cidade em torno da qual foram criados estes campos de refugiados: é um hospital em colapso que precisa de muita ajuda, de instrumentos, de camas. Esse hospital poderia ser reconstruído, com a ajuda internacional, os custos não são altos. E, assim, poderia haver desenvolvimento para o país. E, juntos, poderia haver vida e futuro para os rohingya. Esta é, creio, uma fórmula muito importante. Certamente, trata-se de uma vontade política, de uma sabedoria que, neste momento, seria extremamente necessária”.

Era Alberto Quattrucci, da Comunidade de Sant'Egidio, falando sobre a situação dos rohingya, na reportagem do jornalista italiano da Rádio Vaticano, Alessandro Di Bussolo.

O Papa Francisco visita Myanmar e o Bangladesh a partir do próximo dia 27 de novembro.

(RS)

(from Vatican Radio)