Somália entre calendário de paz e obstáculos

2012-07-06 L’Osservatore Romano

O respeito do calendário há tempos estabelecido para completar até 20 de Agosto a transição somali é o principal compromisso reafirmado esta semana na conferência em Roma do Grupo internacional de contacto. Os outros pontos citados são a segurança, a estabilização, a justiça e a coordenação internacional. Todos os participantes expressaram satisfação pelo encontro, mas nos observadores permanecem as perplexidades do dia anterior sobre a possibilidade de remover  do caminho da paz os obstáculos persistentes dos principais contrastes políticos, institucionais, culturais e de orientação económica entre as facções somalis. Tudo isto enquanto permanece incerta a perspectiva de sucesso total da ofensiva das forças governamentais e da Amisom, a missão da União africana, contra as milícias radicais islâmicas de al Shabaab. Com efeito, estas mantêm o controle de diversas fortalezas, a partir de Chisimaio, segunda cidade e segundo porto do país, base indispensável para fazer chegar as necessárias  ajudas humanitárias  às populações extenuadas do sul da Somália.

         Não se têm indicações certas acerca da redacção da nova Constituição somali e do tipo de país que se pretende reconstruir. Aliás, permanece para definir a questão da liberdade de culto. Mas também sobre a futura ordem das instituições o acordo ainda parece estar longe, sobretudo no que diz respeito às relações entre o Governo central e as regiões que há tempos se proclamaram autónomas do Puntland, do Somaliland e do Galmudug. Estas rejeitam o reconhecimento de uma autonomia apenas formal e têm por objectivo um federalismo acentuado que deixaria ao Governo central a gestão  apenas da política estrangeira. A questão é relevante também do ponto de vista  económico. Sobre os temas da reconstrução  e dos financiamentos todos os protaginistas internacionais reafirmaram consenso e compromisso, pelo menos em linha de princípio, mas também sob este aspecto há interesses internos e externos difíceis de conciliar.

Pierluigi Natalia