Revista "La Civiltà Cattolica": Conversa entre Papa Francisco e União dos Superiores Gerais

2014-01-03 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) - A revista "La Civiltà Cattolica" publicou, nesta sexta-feira, uma versão impressa e digital em seu site sobre a conversa entre o Papa Francisco e a União dos Superiores Gerais (USG), realizada em 29 de novembro passado, em Roma. Na ocasião, o Santo Padre anunciou que 2015 é o ano dedicado à vida consagrada.

O diretor da revista da Companhia de Jesus, Pe. Antonio Spadaro, que estava entre os 120 superiores gerais recebidos pelo Papa, gravou a conversa espontânea e fez um artigo intitulado "Despertem o mundo", sobre esse encontro dos religiosos com o pontífice.

"É preciso formar o coração. Caso contrário, formamos pequenos monstros e depois esses pequenos monstros formam o Povo de Deus. Isso me faz arrepiar."

Esta é uma das passagens fortes da conversa entre o Papa Francisco e a União dos Superiores Gerais. Uma conversa que, segundo Pe. Spadaro, deveria ser uma simples saudação e em vez disso se tornou um diálogo de três horas sobre os principais desafios que a vida religiosa e a Igreja hoje devem enfrentar.

Dentre os temas abordados no encontro: a complexidade da vida, feita de graça e pecado; o ser profeta em nosso mundo, a fraternidade, a denúncia do "tráfico de noviças", ou seja, a chegada maciça de congregações estrangeiras que abrem casas "com o objetivo de recrutar vocações para serem mandadas para a Europa"; a denúncia de comportamentos como hipocrisia e fundamentalismo, o elogio à grande decisão de Bento XVI de enfrentar os casos de abuso, a importância dos carismas, a necessidade de ternura e o saber como acariciar os conflitos.

O tema abordado no início da conversa foi o da identidade e a missão dos religiosos. "O radicalismo do Evangelho não é somente para os religiosos. É exigido a todos", advertiu o Papa. Todavia, "os religiosos seguem o Senhor de maneira especial, de forma profética", frisou o pontífice.

Este é o testemunho que o Papa Francisco espera. "Os religiosos devem ser homens e mulheres capazes de despertar o mundo", exortou o Santo Padre.

Francisco reconhece que "a vida é complexa, é feita de graça e pecado. Se alguém não peca, não é humano. Um religioso que se reconhece fraco e pecador não contradiz o testemunho que é chamado a dar, mas o reforça".

O Papa pede para evitar o fundamentalismo e iluminar o futuro e reitera a convicção de que "as grandes mudanças da história foram feitas quando a realidade foi vista não a partir do centro, mas a partir da periferia".

"Estar nas periferias ajuda a ver e compreender melhor, a fazer uma análise correta da realidade, evitando o centralismo e abordagens ideológicas", disse ainda o pontífice.

O artigo de Pe. Spadaro pode ser encontrado, na íntegra, no site www.laciviltacattolica.it em italiano, inglês e espanhol. (MJ)