Quando era escandaloso chamar-se irmãos e irmãs

2012-07-12 L’Osservatore Romano

Na homilia pronunciada por ocasião da celebração do dies natalis de Pedro e Paulo, Bento XVI, inspirando-se na experiência vivida pelos dois Apóstolos, evocou com matizes de simplicidade luminosa a novidade imanente e transcendente implícita no princípio de fraternidade cristã.«Epitáfio de Marcus» (Roma, área sepulcral na Salaria Vetus) E nesta perspectiva, na reflexão esmerada confiada ao editorial do dia 30 de Junho passado, o director de «L’Osservatore Romano» conceitualizou com sentido pleno da história a imagem da Igreja universal como a mais alta expressão da fraternidade cristã.

Quando se fala de fraternidade dos cristãos — aquela que se põe para além e acima da consanguinidade — não se enuncia apenas um princípio absoluto, uma opção preferencial, mas um modo de ser e de viver que acompanha e caracteriza desde o seu nascer a comunidade dos cristãos, não só nas proposições de princípios que necessariamente sobressaíam na apologética e na polémica, mas também na história concreta da vida quotidiana, de que nos testemunhos epigráficos se encontram vestígios consistentes, genuínos, não mediados.

É este o âmbito no qual pessoas e situações, diversamente desconhecidas, assumem consistência histórica integral, naturalmente sempre nos limites do carácter da memória epigráfica, na qual sempre e contudo está contida uma atitude de auto-representação, que no entanto é aquela — no plano da reconstrução histórica — que delineia uma colectivo imaginário e portanto um modo comportamental conscientemente partilhado.

Carlo Carletti