Pré-Sínodo: Mudar o mundo para melhor com a força da juventude

2017-09-13 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – O Seminário Internacional sobre a situação juvenil em preparação à XV Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos a ser realizada em outubro de 2018, chega ao seu terceiro dia.

Duas palestras orientaram os trabalhos da manhã desta quarta-feira dedicada ao tema “Os jovens e a alteridade”: “Os jovens e o compromisso social” e “Os jovens e o compromisso político”.

A parte da tarde é dedicada ao tema "Jovens e a tecnologia", com as palestras "Os jovens e os cenários futuros do desenvolvimento tecnológico" e "Os jovens e as implicações antropológicas do desenvolvimento tecnológico"

Lucas Galhardo, representante da Pastoral Juvenil do Brasil e do Departamento da Juventude do CELAM, nos fez uma síntese dos trabalhos desta quarta-feira e falou sobre o pouco interesse dos jovens pela política hoje:

"Bom, hoje pela manhã, neste terceiro dia de Seminário, nós tivemos duas conferências sobre os jovens e o compromisso social e os jovens e o compromisso político. Então um professor das Filipinas apresentou muito bem, dados muitos relevantes sobre os jovens e o compromisso social. Primeiro ele começou com uma variação muito interessante sobre a própria realidade juvenil e enfatizando quão importante é este Sínodo, porque nós somos os jovens, hoje somos um quarto da população no mundo e outras características muito interessantes também das gerações e da realidade juvenil e depois apresentou características que plasmam o compromisso social no jovem. Primeiro que as próprias características dos jovens, independente das gerações, são plasmadas pelos principais acontecimentos marcantes ao longo de seu período de formação. Esta foi uma coisa que eu achei muito interessante. E diretamente ao compromisso social, ele mostrou alguns dados também, algumas características muito interessantes. Uma que me marcou é que o compromisso social no jovem surge já a partir da família. A família é a base da educação para tudo, claro, inclusive o compromisso social, então já surge a partir daí. E se plasma também no sentido de cada realidade juvenil. Cada realidade juvenil vai se tocar, vai despertar um anseio para as coisas que são pertinentes àquela sua realidade e a ânsia de lutar, de procurar fazer algo melhor, de procurar ajudar o próximo através da sua realidade e do meio que convive e dos acontecimentos que convive.

Depois uma professora da Argentina abordou pontos sobre os jovens e o compromisso político. Foi interessante, acho que especialmente para nós jovens, porque ela abordou num contexto histórico dividido em três etapas: antes dos anos 80, que foi um período bem revolucionário que ocorreram na história de vários países; depois entre os anos 80 e 90, em alguns países presentes ditaduras e alguns outros movimentos bem marcantes também, e depois a partir dos anos 90 que é aquele participo somente, já com algumas participações mais superficiais não tão engajadas, não tão relações até mesmo fervorosas relacionadas à política. Então para nós foi uma grande aula, foi muito interessante ela apontar estes pontos que servem... dão uma bagagem muito boa para a nossa discussão. E principalmente me marcou aquela, principalmente no começo: dos jovens em si com o seu compromisso político, é importante na política saber ouvir em primeiro lugar, escutar, e não já chegar com as doutrinas de cada partido, com as ideias já formadas, e sim conseguir escutar o histórico, a vida pessoal de cada um. Então foram alguns pontos que me marcaram nesta manhã de hoje".

RV: Como se poderia trazer isto que foi falado aqui esta manhã para a realidade brasileira. Você como jovem, como vê a realidade que estamos vivendo no Brasil de hoje?

"Infelizmente ela não citou a realidade brasileira, mesmo sendo argentina, mesmo sendo nossa vizinha, ela não citou nada sobre o Brasil. Em geral todos os materiais desse Seminário a gente vai conseguir levar no final do Seminário para difundir no Brasil e nos países. Primeiro eu levo uma coisa muito marcante que surgiu nos comentários deste momento pela manhã de hoje, foi que a impressão que se tem, é que a juventude de hoje não liga para a política. Que esta é uma preocupação, principalmente dos mais velhos que tem esta sensação, de que o jovem não liga e consequentemente se não liga para a política não liga para o bem comum. E que este é o grande problema que se enfrenta. E realmente esta é a sensação que realmente eu concordo, e foi uma coisa partilhada hoje também que muitos jovens não ligam porque estão desacreditados com a política em função de todos os problemas que ultimamente tem despertado em muitos países com relação à política, principalmente com relação à corrupção e todos os problemas que passa grande parte da população fruto de uma má administração política. Então o que eu acho que é mais importante, é que nós como jovens não devemos perder nossa fé na política, devemos sim procurar estudar sempre mais, estar sempre atualizados e procurar fazer a nossa missão também na política, no sentido de realmente buscar um mundo melhor, fazer um bem comum . Então esta é a grande mensagem que eu levo: que a gente não perca a nossa fé, que tem muitos jovens ao redor do mundo que também se sentem desacreditados, mas sei que no fundo, no fundo tem uma esperança no coração e uma força tremenda que é capaz de mudar e mudar o mundo para melhor com a nossa força da juventude." (JE)

 

(from Vatican Radio)