O terrorismo na Nigéria volta a atingir os cristãos

2012-08-08 L’Osservatore Romano

Abuja, 7.  Pelo menos 16 pessoas foram assassinadas num ataque armado contra uma igreja cristã no centro-norte da Nigéria. Teatro do massacre foi a Deeper Life Bible Church em Otite, uma localidade da região de Okene, no Estado nigeriano de Kogi. O ataque foi perpetrado durante a reunião que todas as segundas-feiras à noite se realiza na igreja para a leitura da Bíblia. Segundo quanto foi relatado por Gabriel Olorunyomi, comandante da guarnição militar do Estado de Kogi, foram cerca de dez homens armados que atacaram a igreja, fechando as portas do edifício religioso para impedir que os fiéis fugissem. Também os automobilistas que passavam nas proximidades e os estudantes de uma escola próxima tiveram que procurar refúgio para não serem atingidos pelos tiros dos assaltantes.  Diversas pessoas permaneceram feridas. O ataque, que durou quase vinte minutos, não foi reivindicado, mas as autoridades não têm dúvidas ao atribuir a sua responsabilidade ao grupo radical islâmico Boko Haram, autor só no último ano de violências que provocaram mais de mil e seiscentos mortos. O terrorismo de matriz fundamentalista islâmica portanto volta a atingir uma comunidade cristã na Nigéria, depois de duas semanas que a sua acção parecia estar concentrada contra os muçulmanos moderados.

Mais em geral, no norte da Nigéria seguem-se há décadas conflitos de tipo étnico e económico baseados sobretudo nos embates entre cultivadores e criadores pelo controle do território, mas que estão a assumir cada vez mais  conotações de  violência de matriz pseudo-religiosa. Neste quadro colocam-se os ataques que há tempos se concentram contra as comunidades cristãs, embora recentemente visem também os representantes do islão. Contudo, também com tais acontecimentos, diversas fontes competentes realçam que se devem considerar os diversos factores políticos, étnicos, sociais e religiosos, mas que o problema principal permanece o económico. Nesta base, contudo, está a agir uma estratégia terrorista de Boko  Haram cada vez mais   mudada, presente nos Estados nigerianos do centro-norte. De facto, as igrejas sucederam-se aos edifícios governamentais, às estações de polícia e às sedes de sociedades financeiras e económicas como  alvos principais dos seus atentados. O massacre de ontem renova o alarme neste sentido, enquanto se tornam cada vez mais incontroláveis as violências que o Governo central parece não ser capaz de conter.