​Na oração do Papa na Via-Sacra os dramas, as devastações e as injustiças do mundo - Vergonha pelo sangue inocente

2017-04-15 L’Osservatore Romano

Palavras comovidas de «vergonha pelo sangue inocente que diariamente é derramado por mulheres, crianças, imigrantes e pessoas perseguidas» ressoaram no sugestivo cenário do Coliseu iluminado por milhares de fachos na noite de 14 de abril. Quem as pronunciou foi o Papa Francisco durante a tradicional Via-Sacra de sexta-feira santa, na qual o Pontífice recordou todos os dramas, as devastações e as injustiças de um tempo, o atual, marcado por não poucas tragédias. Começando precisamente pela perseguição «devido à cor da pele, à pertença étnica e social e à fé», que atinge tantíssimos inocentes em demasiadas partes do mundo.

Entre enormes medidas de segurança postas em ação pela polícia a fim de prevenir ataques terroristas, pelo menos vinte mil pessoas se uniram ao Bispo de Roma no anfiteatro Flávio para meditar os textos propostos este ano pela biblista francesa Anne-Marie Pelletier e para se unirem à oração do Pontífice, o qual vê refletidas no Crucifixo «todas as imagens de devastação, destruição e naufrágio que se tornaram normalidade na nossa vida», exortando a sentir vergonha por estas atitudes de indiferença, pelo «silêncio» cúmplice «face às injustiças». Em particular o Papa expressou «vergonha por todas as vezes que nós, bispos, sacerdotes, consagrados e consagradas escandalizamos e ferimos a Igreja».

Mas da cruz, observou Francisco, chega sempre e contudo uma mensagem de esperança, começando pela certeza de que «a multidão de homens e mulheres fiéis continua e continuará a viver fiel como o fermento que dá sabor e como a luz que abre novos horizontes no corpo da nossa humanidade ferida».

Eis então, em conclusão, o pedido ao Senhor para que não esqueça os «irmãos aniquilados pela violência, pela indiferença e pela guerra; para cortar as cadeias» do egoísmo e ensinar às mulheres e aos homens a nunca se envergonharem «da Cruz, a não a instrumentalizar» mas a honrá-la e a adorá-la. Porque – concluiu – nela se manifestam «a monstruosidade dos nossos pecados» e a «injustiça dos nossos juízos».

Oração do Papa