Na audiência geral o convite de Francisco às nações - Portas abertas aos migrantes

2016-03-16 L’Osservatore Romano

Face ao drama dos muitos «migrantes de hoje que sofrem o frio, sem alimentos e sem poder entrar», porque nalgumas zonas de fronteira lhesfecham as portas, o Papa Francisco «aprecia muito ouvir» notícias de nações e governantes «que abrem o coração e as portas». Foi quanto elerevelou aos fiéis presentes na praça de São Pedro para a audiência geral de quarta-feira 16 de março.

Prosseguindo as reflexões bíblicas sobre o tema jubilar, o Pontífice comentou o trecho tirado do livro de Jeremias (31, 10.12a.13b),que fala sobre a relação entre misericórdia e consolação. E dado que o profeta descreve o drama do exílio do povo de Israel, para o Papa foi natural comparartais experiências com a de muitos «nossos irmãos» que «vivem longe da sua pátria, tendo aindanos olhososescombros das suas casas, no coração o medo e com frequência,infelizmente, a dor pela perda de entes queridos». Com efeito, nestes casos – observou Francisco – precisamente como aconteceu para os israelitas, é quase natural perguntar-se «onde está Deus? Como é possível que tanto sofrimento possa abater-se sobre homens, mulheres e crianças inocentes?». De resto, comentou, são pessoas em busca de uma vida melhor, aglomeradas nas fronteiras «porque tantas portas e corações permanecem fechados». E no entanto, não devemos desesperar, a palavra de Deus, a história e a crónica testemunham continuamente que o Senhor «não está ausente nem sequer hoje nestas dramáticas situações», como demonstram precisamente aqueles governantes e países «que abrem o coração e as portas». Trata-se, explicou, de um «grande anúncio de consolação», porque «Deus está próximo e realiza grandes obras de salvação para quem confia n'Ele». Como? O Pontífice disse-o claramente: sem «ceder ao desespero», mas «continuando a ter certeza de que o bem vence o mal». E para confirmar isso citou um exemplo concreto. «Penso na vizinha Albânia», acrescentou improvisando, eem como «depois de tanta perseguição e destruição conseguiu erguer-se na dignidade e na fé».