Migrantes: o clamor do Papa aos líderes do G20

2017-07-08 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) – No dia 8 de julho de quatro anos atrás, o Papa Francisco realizava a primeira viagem de seu pontificado: a ilha de Lampedusa, no sul da Itália.

O Pontífice recordou esta data no Twitter, com a seguinte mensagem: “Os migrantes são nossos irmãos e irmãs que buscam uma vida melhor longe da pobreza, da fome e da guerra”.

Globalização da indiferença

Lampedusa continua cenário de desembarques e, infelizmente, de naufrágios. Na missa celebrada pelos migrantes mortos, a homilia foi centralizada na pergunta dirigida a Caim: “onde está o seu irmão, Abel?”. O Papa denunciou a globalização da indiferença com estas palavras:

“A cultura do bem-estar, que nos leva a pensar em nós mesmos, torna-nos insensíveis aos gritos dos outros, faz-nos viver como se fôssemos bolas de sabão: estas são bonitas mas não são nada, são pura ilusão do fútil, do provisório. Esta cultura do bem-estar leva à indiferença a respeito dos outros; antes, leva à globalização da indiferença. Neste mundo da globalização, caímos na globalização da indiferença. Habituamo-nos ao sofrimento do outro, não nos diz respeito, não nos interessa, não é responsabilidade nossa!”

Migrantes

O sofrimento dos migrantes é um dos temas mais recorrentes no pontificado de Francisco. Viagens, encontros, visitas: o Pontífice tem uma relação de proximidade com eles. Mas não só, o Papa potenciou o trabalho de diplomacia da Santa Sé nesta área, criando uma seção que se dedica exclusivamente aos migrantes e refugiados. Francisco manifesta diretamente sua preocupação ao se encontrar com líderes mundiais no Vaticano e a reitera em mensagens dirigidas a encontros internacionais, como o G20, em andamento em Hamburgo.

Visão distorcida

O tema foi manchete nos jornais também este sábado, numa entrevista concedida ao diretor do jornal italiano “La Repubblica”, Eugenio Scalfari.

“Temo alianças perigosas entre potências que têm uma visão distorcida do mundo”, afirma o Pontífice, citando Estados Unidos e Rússia, China e Coreia do Norte, Putin e Assad na guerra da Síria. “E o perigo diz respeito à migração”, prossegue.

“Nós temos como problema principal, e infelizmente crescente no mundo de hoje, os pobres e os excluídos, dos quais os migrantes fazem parte. De outro lado,  há países onde a maioria dos pobres não provém das correntes migratórias, mas de calamidades sociais; outros, ao invés, têm poucos pobres, mas temem a invasão dos migrantes. Eis o porquê o G20 me preocupa: porque atinge principalmente os migrantes”, declara o Papa na entrevista ao jornal italiano.

Os efeitos do colonialismo

As palavras de Francisco são dirigidas sobretudo ao continente europeu: “O colonialismo partiu da Europa – destaca. Houve aspectos positivos, mas também negativos. Em todo caso, a Europa se tornou mais rica, a mais rica do mundo. Esta, portanto, será a meta principal dos povos migratórios”.

Para o Pontífice, os países da União devem levar em conta uma verdade: “ou a Europa se torna uma comunidade federal ou não contará mais nada”.

Mais do que uma entrevista, se tratou de um convite que o Papa Francisco dirigiu ao diretor, declaradamente ateu, de visitá-lo na Casa Santa Marta. O Pontífice questionou Scalfari sobre as qualidades e os defeitos dos jornalistas e o diretor lhe dirigiu perguntas sobre os filósofos Baruch Spinoza e Blaise Pascal.

(from Vatican Radio)