Mensagem do Santo Padre aos participantes no Congresso dos Institutos Seculares italianos (23 de outubro de 2017)

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
AOS PARTICIPANTES NO CONGRESSO DOS INSTITUTOS SECULARES ITALIANOS
 POR OCASIÃO DA CONSTITUIÇÃO APOSTÓLICA
"PROVIDA MATER ECCLESIA"

 

Queridos irmãos e irmãs!

Por ocasião do 70º aniversário da Constituição apostólica Provida Mater Ecclesia, a Conferência Italiana dos Institutos Seculares, com o patrocínio da Congregação para os Institutos de vida consagrada e as sociedades de vida apostólica, convocou-vos sobre o tema “Oltre e in mezzo. Istituti secolari: storie di passione e profezie per Dio e per il mondo” [Para além e no meio. Institutos seculares: histórias de paixão e profecias para Deus e para o mundo]. A todos vós dirijo a minha cordial saudação, fazendo votos de que o congresso seja profícuo.

Num certo sentido o documento do Papa Pio XII foi revolucionário: com efeito, delineou uma nova forma de consagração: a de fiéis leigos e presbíteros diocesanos chamados a viver os conselhos evangélicos na secularidade na qual estão imersos em virtude da condição existencial ou do ministério pastoral. Por conseguinte, a novidade e a fecundidade dos Institutos Seculares consiste em conjugar consagração e secularidade, praticando um apostolado de testemunho, de evangelização — especialmente para os presbíteros — e de compromisso cristão na vida social — especialmente para os leigos, à qual se acrescenta a fraternidade que, sem ser determinada por uma comunidade de vida, contudo é verdadeira comunhão.

No sulco traçado pela Provida Mater, hoje estais chamados a ser humildes e apaixonados portadores, em Cristo e no seu Espírito, do sentido do mundo e da história. A vossa paixão nasce da admiração sempre nova pelo Senhor Jesus, pelo seu modo único de viver e amar, de encontrar as pessoas, de curar a vida, de dar alívio. Portanto, o vosso “estar dentro” do mundo não é só uma condição sociológica mas uma realidade teológica que vos permite estar atentos, ver, ouvir, compadecer-vos, alegrar-vos juntos, intuir as necessidades.

Isto significa ser presença profética de modo muito concreto. Significa levar ao mundo, nas situações em que nos encontramos, a palavra que ouvimos de Deus. É isto que carateriza no sentido próprio a laicidade: saber anunciar a palavra que Deus quer dizer ao mundo. Na qual “anunciar” não significa só falar, mas agir. Dizemos o que Deus deseja anunciar ao mundo, agindo no mundo. Isto é muito importante. Especialmente num mundo como o nosso no qual, diante das dificuldades, podemos ter a tentação de nos isolar nos próprios âmbitos confortáveis e seguros e de nos retirar do mundo. Também vós poderíeis cair nesta tentação. Mas o vosso lugar é “estar dentro”, como presença transformadora no sentido evangélico. Certamente é difícil, é um caminho que inclui a cruz, mas o Senhor deseja percorrê-lo convosco.

A vossa vocação e missão é estar atentos, por um lado, à realidade que vos circunda perguntando-vos sempre: o que acontece?, sem vos deter no que se vê na superfície mas indo mais ao fundo; e, ao mesmo tempo, ao mistério de Deus, para reconhecer onde Ele se está a manifestar. Atentos ao mundo com o coração imerso em Deus.

Por fim gostaria de vos sugerir alguns comportamentos espirituais que vos podem ajudar neste caminho e que se podem sintetizar em cinco verbos: rezar, discernir, partilhar, encorajar e sentir simpatia.

Rezar para permanecer unidos a Deus, próximos do seu coração. Ouvir a sua voz diante de cada acontecimento da vida, levando uma existência luminosa que pega no Evangelho e o pratica seriamente.

Discernir é saber distinguir o essencial do acessório; é afinar a sabedoria, cultivada dia após dia, que permite ver quais são as responsabilidades que devem ser assumidas e quais são as tarefas prioritárias. Trata-se de um percurso pessoal mas também comunitário, por isso não é suficiente o esforço individual.

Partilhar o destino de cada homem e mulher: mesmo se os acontecimentos do mundo são trágicos e obscuros, não abandonar o destino do mundo, porque o amo, como e com Jesus, até ao fim.

Encorajar com a graça de Cristo sem nunca perder a confiança, que sabe ver o bem em todas as coisas. É também um convite que recebemos em cada celebração eucarística: «Corações ao alto».

Sentir simpatia pelo mundo e pelas pessoas. Inclusive quando fazem de tudo para no-la fazer perder, estar animados pela simpatia que nos vem do Espírito de Cristo, que nos torna livres e apaixonados, nos faz “estar dentro”, como o sal e o fermento.

Queridos irmãos e irmãs, desejo-vos que possais ser no mundo como a alma no corpo (cf. Carta a Diogneto, VI, 1), testemunhas da Ressurreição do Senhor Jesus. Estes são os votos que vos faço, acompanhados da minha oração e bênção.

Vaticano, 23 de outubro de 2017.

Francisco