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Mensagem do Santo Padre aos membros da Associação Internacional da Caridade (AIC) (22 de fevereiro de 2017)

MENSAGEM DO PAPA FRANCISCO
AOS MEMBROS DA "ASSOCIATION INTERNATIONAL DES CHARITÉS"
(AIC)

 

Aos membros da Association International des Charités (Aic)

Neste ano de 2017, celebrais os quatrocentos anos das primeiras Confrarias da Caridade, fundadas por São Vicente de Paulo em Châtillon. É com alegria que me uno espiritualmente a vós para festejar este aniversário e formulo os meus melhores votos para que esta boa obra continue a sua missão de levar um testemunho autêntico da misericórdia de Deus junto dos mais pobres. Que este aniversário seja para todos a ocasião de dar graças a Deus por estes dons e abrir-se às suas surpresas, a fim de discernir, sob o sopro do Espírito Santo, novos caminhos para que o serviço da caridade seja cada vez mais fecundo!

As Charités surgiram da ternura e da compaixão do coração de Monsenhor Vicente pelos pobres, muitas vezes marginalizados ou abandonados nas aldeias e nas grandes cidades. A sua ação no meio deles e com eles pretendia refletir a bondade de Deus pelas suas criaturas. Ele considerava os pobres como os representantes de Jesus Cristo, como os membros do seu corpo sofredor; ele tinha compreendido que também os pobres são chamados a edificar a Igreja e que por sua vez também eles nos teriam convertido.

No seguimento de Vicente de Paulo o qual confiara o cuidado dos seus pobres a leigos, e de modo especial a mulheres, a vossa Associação quis promover o desenvolvimento das pessoas menos favorecidas e aliviar os pobres e os sofrimentos materiais, físicos, morais e espirituais. E é na Providência de Deus que se encontra o fundamento deste compromisso. E o que é a Providência a não ser o amor de Deus que age no mundo e pede a nossa cooperação? Gostaria de vos encorajar de novo hoje a acompanhar a pessoa na sua integridade, dedicando uma atenção particular à precariedade das condições de vida de numerosas mulheres e crianças. A vida de fé, a vida unida a Cristo permite-nos compreender a realidade da pessoa, a sua dignidade incomparável, não como uma realidade limitada aos bens materiais, aos problemas sociais, económicos e políticos mas a considerá-la como um ser criado à imagem e semelhança de Deus, como um irmão ou uma irmã, como o nosso próximo pelo qual somos responsáveis. Para «vermos» estas pobrezas e para nos aproximarmos delas, não é suficiente seguir as grandes ideias mas é necessário viver do mistério da Encarnação, este mistério tão querido a São Vicente de Paulo, mistério deste Deus que se abaixou tornando-se homem, que viveu entre nós e morreu «para aliviar o homem e salvá-lo». Não são apenas palavras belas, mas «trata-se do próprio ser e agir de Deus». É o realismo que estamos chamados a viver como Igreja. Eis por que não existe uma promoção humana, uma libertação autêntica do homem, sem o anúncio do Evangelho «pois o aspeto mais sublime da dignidade do homem consiste na sua vocação à comunhão com Deus».

Na Bula de proclamação da abertura do ano jubilar, manifestei o desejo de «que os anos futuros sejam permeados de misericórdia para ir ao encontro de todas as pessoas levando-lhes a bondade e a ternura de Deus» (n. 5). Convido-vos a prosseguir por este caminho. A credibilidade da Igreja passa pelo caminho de amor misericordioso e da compaixão que abrem à esperança: não se trata unicamente de encontrar Cristo nos pobres, mas também de fazer com que os pobres sintam Cristo em vós e nas vossas ações. Estando enraizados na experiência pessoal de Cristo podeis contribuir também para uma «cultura da misericórdia» que renove profundamente os corações e abra a uma realidade nova.

Por fim, gostaria de vos convidar a contemplar o carisma de Santa Luísa de Marillac, à qual Monsenhor Vicente confiou a animação e a coordenação das Confrarias da caridade, e a encontrar nela esta fineza e delicadeza da misericórdia que nunca fere nem humilha ninguém mas que alivia, dá nova coragem e esperança.

Ao confiar-vos à intercessão da Virgem Maria, assim como à proteção de São Vicente de Paulo e de Luísa de Marillac, envio-vos a Bênção Apostólica e peço-vos que rezeis por mim!

Vaticano, 22 de fevereiro de 2017

Francisco