Mensagem do Papa para as exéquias do Cardeal Martini: homem de Deus, atento às situações mais difíceis

2012-09-03 Rádio Vaticana

Cidade do Vaticano (RV) - Ao menos vinte mil fiéis saudaram pela última vez, num clima de profunda comoção e gratidão a Deus, o Cardeal Carlo Maria Martini, falecido nesta sexta-feira, aos 85 anos, cujas exéquias foram celebradas às 16h locais desta segunda-feira, na Catedral de Milão, arquidiocese que durante 22 anos o teve como insigne e zeloso Pastor.

De fato, com a participação de milhares de fiéis, autoridades, amigos e admiradores do Cardeal Martini, a missa exequial foi presidida pelo Arcebispo de Milão, Cardeal Angelo Scola. Bento XVI enviou uma mensagem para a ocasião, lida no início da celebração por seu Vigário-Geral para o Estado da Cidade do Vaticano, Cardeal Angelo Comastri. A seguir, na íntegra, a mensagem do Pontífice:

Caros irmãos e irmãs,

Neste momento desejo expressar a minha proximidade, com a oração e o afeto, a toda a Arquidiocese de Milão, à Companhia de Jesus, aos parentes e as todos aqueles que estimaram e amaram o Cardeal Carlo Maria Martini e quiseram acompanhá-lo nesta última viagem.

"Tua palavra é lâmpada para os meus pés, e luz para o meu caminho" (Sal 119 (118), 105): as palavras do Salmista podem resumir toda a existência deste Pastor generoso e fiel à Igreja. Foi um homem de Deus, que não somente estudou a Sagrada Escritura, mas a amou intensamente, fez dela luz para a sua vida, a fim de que tudo fosse <<ad maiorem Dei gloriam>>, para a maior glória de Deus. E justamente isso foi capaz de ensinar aos fiéis e àqueles que estão à procura da verdade que a única Palavra digna de ser ouvida, acolhida e seguida é a de Deus, porque indica a todos o caminho da verdade e do amor. E o foi com uma grande abertura de ânimo, jamais rejeitando o encontro e o diálogo com todos, respondendo concretamente ao convite do Apóstolo a estar "sempre pronto a dar razão da vossa esperança a todo aquele que vo-la pede" (1 Pd 3, 15). E o foi com um espírito de caridade pastoral profunda, segundo o seu lema episcopal, "Pro veritate adversa diligere, atento a todas as situações, especialmente as mais difíceis, fazendo-se próximo, com amor, a quem se encontrava no desânimo, na pobreza e no sofrimento.

Numa homilia de seu longo ministério a serviço desta Arquidiocese ambrosiana assim rezava: <<Nos vos pedimos, Senhor, que façais de nós água da fonte para os outros, pão partido para os irmãos, luz para aqueles que caminham nas trevas, vida para aqueles que titubeiam nas sombras de morte. Senhor, sede a vida do mundo; Senhor, guiai-nos rumo à vossa Palavra; junto caminharemos até vós, carregaremos a vossa cruz, saborearemos a comunhão com a vossa ressurreição. Junto a vós caminharemos rumo à Jerusalém celeste, rumo ao Pai>> (Homilia de 29 de março de 1980).

O Senhor, que guiou o Cardeal Carlo Maria Martini em toda a sua existência acolha na Jerusalém do Céu esse incansável servidor do Evangelho e da Igreja. A todos os presentes e àqueles que choram a sua partida chegue o conforto da minha Bênção.

De Castel Gandolfo, 3 de setembro de 2012

Bento XVI