Jornalistas e mártires

2012-07-25 L’Osservatore Romano

Há setenta anos, no dia 26 de Junho de 1942, foi assassinado em Dachau pe. Titus Brandsma, o carmelita holandês elevado em 1985 à honra dos altares e proclamado, juntamente com são Francisco de Sales, co-padroeiro dos jornalistas.  Desde os anos  trinta denunciou a componente anticristã do nazismo, continuando – apoiado pelo episcopado – também após a invasão da Holanda por parte dos alemães.

O jornalista carmelita

Em Agosto de 1941 já tinha sido assassinado em Auschwitz o franciscano polaco Maximiliano Kolbe, jornalista involuntário, porque a sua missão era a favor da conversão dos pecadores e da santificação dos crentes. Em Auschwitz, como represália pela fuga de um preso, foram escolhidos dez prisioneiros do seu bloco para serem fuzilados e ele pediu  para substituir um pai de família. O drama teve início em 1943 com a execução de Fritz Michael Gerlich. Em Munique, ele imediatamente identificou em Hitler o profeta de um «desvio que levaria à barbárie» e definiu o nazismo «um flagelo do espírito», «uma das maiores traições da história da Alemanha».

Perante a covardia de numerosos cristãos, no início de 1932 fundou o semanário «Der gerade Weg» (O justo caminho), com o subtítulo «Jornal alemão para a verdade e o direito».  Outra testemunha alemã foi Nikolaus Gross, sindicalista e jornalista católico opositor do nazismo, beatificado em 2001. Depois do fracasso do atentado de 20 de Julho de 1944, foi enforcado com 47 anos. A um dos filhos que durante a captura lhe perguntou «Pai, onde vais?», do cárcere respondeu «vou para onde me indicar a vontade de Deus».

Ao mundo da informação pertencem também dois italianos: o leigo Odoardo Focherini (de quem recentemente foram proclamadas as virtudes heróicas, desde 1969 foi reconhecido Justo entre as nações) e o franciscano Placido Cortese (cuja causa de beatificação está em curso). Eles têm em comum a idade no momento da morte, 37 anos em 1944, e as razões pelas quais foram assassinados: a ajuda prestada em particular aos judeus. Pe. Cortese, director do «Mensageiro de Santo António» (de 1937 até a morte) e de 1942 comprometido a favor dos judeus, refugiados croatas e eslovenos, prisioneiros de guerra e detidos, foi sequestrado em Outubro de 1944. Dele perderam-se os vestígios até 1955, quando se teve a notícia de  que, depois das torturas, foi assassinado em Novembro de 1944. Um dos numerosos mártires que honram a profissão, à qual pertencem também outras testemunhas, crentes ou não, na liberdade e nos direitos dos homens.

Angelo Paoluzi