Imagens fortes (13 de junho de 2017)

PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA

Imagens fortes

Terça-feira, 13 de junho de 2017

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 26 de 29 de junho de 2017

O «anúncio do Evangelho» não admite «matizes» nem incertezas, não se esconde atrás do “talvez” nem do “sim e não”. O anúncio cristão funda-se só na palavra «sim». E é esta a força que «leva ao testemunho», a ser «sal da terra» e «luz do mundo» e a «glorificar Deus». Foram estas as imagens e as palavras «fortes» que, propostas pela liturgia, estiveram no centro da meditação do Papa.

«Imagens fortes — disse o Pontífice — para significar como o anúncio do Evangelho é esmagador, contundente e decisivo». Portanto, não se trata, explicou, «de palavras, de matizes que são um pouco “sim-sim”, “não-não”, e que no final te levam a procurar uma segurança artificial, como por exemplo é a casuística». Pelo contrário, estamos diante de «palavras fortes: “sim”, é assim. Palavras que indicam a força do Evangelho, a força do anúncio cristão, a força que te leva ao testemunho e também a glorificar Deus».

Por exemplo, na segunda carta aos Coríntios (1, 18-22), São Paulo explica que no “sim”, estão encerradas «todas as promessas de Deus: em Jesus foram cumpridas. São “sim”», porque «Ele é a plenitude das promessas. N’Ele cumpre-se tudo o que foi prometido e por isso Ele é plenitude, é “sim”». Disse Francisco: «Em Jesus não há um “não”: sempre “sim”, para glória do Pai». E acrescentou: «Mas também nós participamos deste “sim” de Jesus, porque Ele nos conferiu a unção, nos imprimiu o selo, nos deu o “penhor” do Espírito». Portanto «participamos porque somos ungidos e temos nas mãos aquela segurança — o “penhor” do Espírito». O Espírito «que nos levará ao “sim” definitivo», à «nossa plenitude», e que «nos ajudará a tornar-nos luz e sal», isto é, a dar «testemunho».

Pelo contrário «quem esconde a luz dá contratestemunho; um pouco “sim” e um pouco “não”. Possui a luz mas não a oferece, não a faz ver e se não a mostra, não glorifica o Pai que está nos céus». Do mesmo modo, há quem «possui o sal, mas toma-o para si mesmo e não o doa a fim de que se evite a corrupção». Contudo, o Senhor ensinou-nos «palavras decisivas» e disse: «O vosso falar seja: sim, não. O supérfluo provém do maligno».

Esta «atitude de segurança e testemunho», explicou o Pontífice, foi confiada pelo Senhor «à Igreja e a todos nós batizados», dos quais se requer «segurança na plenitude das promessas em Cristo: em Cristo tudo se cumpriu» e «testemunho aos outros», acrescentando: «isto é ser cristão: iluminar, ajudar para que a mensagem e as pessoas não se corrompam, como faz o sal».

Mas se não aceitarmos «o “sim” em Jesus» e o «”penhor” do Espírito», então «o testemunho será tíbio».

A «proposta cristã», especificou o Papa, é tanto «simples» quanto «decisiva» e «bonita», e «dá muita esperança». Então é suficiente perguntar-nos: «Sou luz para os outros? Sou para os outros sal que tempera a vida e a defende da corrupção? Estou unido a Jesus Cristo, que é o “sim”? Sinto-me ungido, selado? Sei que tenho esta segurança que se tornará plena no céu, mas pelo menos agora é “penhor” do Espírito?».

Para compreender melhor as semelhanças da luz e do sal, Francisco recordou que também «no nosso falar diário, quando uma pessoa está cheia de luz, comentamos: “esta é uma pessoa solar”». E explicou: estamos diante do «reflexo do Pai em Jesus, no qual as promessas foram todas cumpridas» e do «reflexo da unção do Espírito que todos nós temos».

Mas, concluiu, qual é o fim de tudo isto? Por que «recebemos isto?». A resposta está nas leituras do dia. De facto São Paulo diz: «E por isso, através de Cristo, eleva-se a Deus o nosso “amém” para a sua glória», por conseguinte «para glorificar Deus». E Jesus — no evangelho de Mateus (5, 13-16) — diz aos discípulos: «Assim resplandeça a vossa luz diante dos homens para que vejam as vossas boas obras e deem glória ao Pai». Mais uma vez «para glorificar Deus». Por isso, sugeriu o Papa, «peçamos esta graça: permanecer unidos, radicados na plenitude das promessas em Jesus Cristo, que é “sim”, totalmente “sim”», e «levar esta plenitude com o sal e a luz do nosso testemunho aos outros para dar glória ao Pai que está nos céus».