Conselho para o fim de semana (9 de junho de 2017)

PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA

Conselho para o fim de semana

Sexta-feira, 9 de junho de 2017

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 25 de 22 de junho de 2017

Um conselho para «este fim de semana»: são necessários apenas «quinze minutos» para o ler inteiramente, mas vale a pena fazê-lo, porque o livro de Tobias «nos ensina a comportar-nos no caminho da vida», quer «nos muitos momentos bons» quer «nos muitos momentos maus». E «ensina-nos também a discernir», para não «nos deixarmos enganar» pelos «fogos de artifício» mas nem sequer pelo desespero mais tenebroso, que deve ser enfrentado recorrendo à oração, à paciência e à esperança. Foram precisamente as histórias paralelas dos personagens bíblicos de Tobit e Sara — sogro e nora apresentados no livro de Tobias — que o Papa propôs, sugerindo à luz de tais vicissitudes um exame de consciência pessoal.

«A Bíblia é a palavra de Deus, e Deus fala-nos quando lemos ou meditamos a Bíblia», afirmou imediatamente Francisco no início da sua meditação, observando que «nestes dias, até amanhã, a liturgia nos leva a refletir sobre o livro de Tobias: uma história que, diria, é normal, como a história de muitas pessoas». Mas é «sobretudo a história de duas pessoas: de Tobit, pai de Tobias, e de Sara». É «a história de um sogro e de uma nora, uma história que nos faz meditar». E «seria bom», sugeriu o Papa, se «cada um de nós pegasse no livro de Tobias, hoje ou neste fim de semana — é breve, lê-se em pouco tempo, em quinze minutos — e visse como o Senhor faz progredir a história, leva em frente a vida das pessoas, inclusive a nossa».

«Nestas duas pessoas — vejamos Tobit e Sara, sogro e nora — há bons momentos, momentos bonitos, como em cada vida», explicou o Pontífice. Antes de tudo, «há maus momentos: Tobit é perseguido, escarnecido, ultrajado» e até «insultado pela sua esposa» Ana, que certamente «não era uma mulher maldosa, trabalhava para governar a casa porque ele era cego, tornou-se cego». É «um momento mau que não se explica», acrescentou o Papa. E assim tanto Ana como Sara sofriam, porque «também ela foi insultada» e não obstante fosse muito jovem, até queria enforcar-se. «Nestes maus momentos, ambas pediram a morte»: fê-lo o próprio Tobit, constatando que tudo era «negativo, obscuro, escuro».

«Todos nós — afirmou Francisco — passamos por momentos maus, duros: não tão fortes como este, mas sabemos como se sente num momento obscuro, de dor, na hora das dificuldades». Mas «Sara pensa: “se eu me enforcar, farei sofrer os meus pais?”; para e reza». Por sua vez, «Tobit diz: “esta é a minha vida, vamos em frente” e reza». Exatamente «esta — explicou o Papa — é a atitude que nos salva nos maus momentos: a oração». Assim como «a paciência, porque ambos são pacientes com a própria dor». E inclusive «a esperança de que Deus nos ouça e faça passar estes maus momentos». E assim «na hora da tristeza, pouca ou muita, nos maus momentos», nunca devemos «esquecer» de recorrer à «oração, paciência e esperança».

Mas «há também bons momentos na história destes dois», disse o Pontífice. E com efeito a sua história, como «ouvimos, acaba bem». Sem dúvida, «não é o “happy ending” de um romance, isto não». Mas é «um bom momento: após a provação, o Senhor aproxima-se deles e salva-os». Portanto, insistiu o Papa, «há bons momentos, autênticos, como este: não aqueles momentos com uma beleza postiça, onde tudo é artificial, um fogo de artifício, mas não é a beleza da alma». E «o que fazem ambos nos bons momentos? Agradecem a Deus, alargam o coração na prece de ação de graças».

A atitude de Tobit e Sara sugeriu a Francisco a ocasião para propor um exame de consciência pessoal. «Questiono-me, perguntemo-nos todos: nos maus e bons momentos, sei discernir o que acontece na minha alma, sei entender o que sucede? E nos maus momentos, sei que é a cruz, e que não há explicação, ainda que pareça uma maldição?». Exatamente «naqueles momentos — prosseguiu o Papa — consigo rezar, ter paciência, ter pelo menos um pouquinho de esperança?». E ainda: «Nos bons momentos, deixo entrar a alegria no coração, mas aquela alegria que vem de Deus, que te leva a dar graças a Deus, ou caio na vaidade e acho que a vida é totalmente assim? Hoje é assim e amanhã será de outro modo, não?».

É uma realidade, afirmou o Pontífice, que «a nossa vida caminha entre maus e bons momentos, mas nela o Senhor está sempre presente». E, prosseguiu com o exame de consciência, «sei discernir a presença do Senhor, dirigir-me a Ele na oração? E depois no louvor, nos bons momentos, no louvor da alegria, dou graças por aquilo que Ele fez?».

Concluindo, o Papa renovou o conselho a ler a história de Tobit e Sara «neste fim de semana», a pegar na Bíblia e procurar o livro de Tobias. «Esta história ensina-nos a comportar-nos no caminho da vida, com muitos momentos bons e maus, e ensina-nos também a discernir». Com efeito, Sara aprendeu, «fez um discernimento: “É melhor que eu não me enforque porque isto causaria uma grande dor aos meus pais”». E assim «também Tobit compreendeu que devia aguardar na oração, na esperança, a salvação do Senhor». Ao mesmo tempo nós, «enquanto neste fim de semana lermos este livro, peçamos a graça de saber discernir o que acontece nos maus momentos da nossa vida e como ir em frente, e o que sucede nos bons momentos, sem nos deixarmos enganar pela vaidade».