Confiemo-nos aos arcanjos (29 de setembro de 2017)

PAPA FRANCISCO

MEDITAÇÕES MATUTINAS NA SANTA MISSA CELEBRADA
NA CAPELA DA CASA SANTA MARTA

Confiemo-nos aos arcanjos

Sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Publicado no L'Osservatore Romano, ed. em português, n. 40 de 5 de outubro de 2017

Um verdadeiro ato de confiança aos arcanjos Miguel, Rafael e Gabriel, no dia da sua festa, para que nos ajudem na luta contra a sedução do demónio, nos tragam boas novas da salvação e nos conduzam pela mão a fim de que não erremos o caminho no percurso da vida, cooperando assim «com o desígnio de salvação de Deus». «Na oração da coleta no início da missa rezamos assim: “Ó Deus que chames os anjos e os homens para cooperarem com o teu desígnio de salvação, concede a nós peregrinos sobre a terra a proteção dos espíritos bem-aventurados, que no céu estão diante de ti para te servir e contemplam a glória do teu rosto”».

«Um aspeto que chama a atenção desde o início é que nós e os anjos temos a mesma vocação: cooperar com o desígnio de salvação de Deus; somos, por assim dizer; “irmãos” na vocação». Os anjos «estão diante do Senhor para o servir, louvar e inclusive para contemplar a glória do rosto do Senhor: os anjos são os grandes contemplativos, contemplam o Senhor; servem e contemplam. Mas também o Senhor os envia para nos acompanhar no caminho da vida».

«Hoje festejamos três destes arcanjos — afirmou o Pontífice — porque desempenharam um papel importante na história da salvação. E festejamos estes três também porque desempenharam um papel importante no nosso caminho rumo à salvação».

Começando por «Miguel — o grande Miguel — aquele que combate o demónio», explicou o Papa referindo-se ao trecho do Apocalipse (12, 7-12) proposto pela liturgia e sublinhando: «Por fim, quando o dragão combatia contra Miguel, quando foi vencido, o texto diz o seguinte: “O grande Dragão, a primitiva serpente, chamado demónio e satanás, o sedutor do mundo inteiro foi precipitado na terra”». O demónio é «o nosso inimigo» e esta, explicou o Pontífice, é «uma visão do fim do mundo, mas ao mesmo tempo incomoda, incomoda na nossa vida: procura sempre seduzir-nos, como seduziu a nossa mãe Eva, com argumentos convincentes: “Come o fruto, vai fazer-te bem, vai fazer-te conhecer muitas coisas”». E assim «começa, como faz a serpente, a seduzir, a seduzir e depois, quando caímos, acusa-nos diante de Deus: “É um pecador, é meu!”».

Portanto, frisou Francisco, «“ele é meu” é precisamente a palavra do demónio, vence-nos com a sedução e depois acusa-nos em frente de Deus: “É meu, levo-o comigo”». E «Miguel combate contra ele, o Senhor pede-lhe para lhe fazer a guerra: para nós que estamos a caminho, nessa nossa terra, rumo ao céu, Miguel ajuda-nos a combatê-lo, a não nos deixar seduzir por este espírito maligno que nos engana com a sedução». Precisamente «por esta razão hoje agradeçamos São Miguel esta luta que faz pela Igreja e por cada um de nós, e peçamos-lhe que continue a defender-nos».

O segundo arcanjo, «Gabriel, é aquele que traz as boas novas, aquele que deu a notícia a Maria, a Zacarias, a José», continuou Francisco. Portanto, Gabriel anuncia «as boas novas e a boa notícia da salvação». Também ele «está connosco e ajuda-nos no caminho». Sobretudo quando — e acontece muitas vezes — «com tantas notícias más ou numerosas notícias que não têm substância, nós esquecemos a boa nova, a do Evangelho de Deus, da salvação, que Jesus veio ter connosco, nos trouxe a salvação de Deus». E é precisamente «Gabriel que nos recorda isto e, por esta razão, hoje peçamos a Gabriel que nos anuncie sempre a boa nova». Gabriel, foi a oração de Francisco, «recorda-nos a boa nova de Deus, o que Deus fez».

«E há também o terceiro arcanjo, Rafael, aquele que nos ajuda no caminho, que caminha connosco» disse o Pontífice. «Miguel — especificou — defende-nos, Gabriel dá-nos a boa notícia e Rafael conduz-nos pela mão e caminha connosco, ajuda-nos nos eventos que acontecem ao longo do caminho». Devemos pedir a Rafael: «que, por favor, não sejamos seduzidos a dar o passo errado, errar o caminho; guia-nos pela boa estrada, pelo caminho bom. Tu és o companheiro do caminho, assim como foste o companheiro de viagem de Tobias».

Os três arcanjos, prosseguiu Francisco, «estão diante de Deus, são os nossos companheiros porque têm a mesma vocação no mistério da salvação: levar em frente o mistério da salvação. Adoram a Deus, glorificam a Deus, servem a Deus». E assim «hoje peçamos simplesmente aos três arcanjos Miguel, Gabriel, Rafael», convidou o Papa sugerindo as palavras da oração: «Miguel, ajuda-nos na luta; cada um sabe qual luta tem na própria vida hoje, cada um de nós conhece a luta principal, a que faz arriscar a salvação. Ajuda-nos, Gabriel, traz-nos boas notícias, traz-nos boas novas da salvação, que Jesus está connosco, que Jesus nos salvou e dá-nos esperança. Rafael, leva-nos pela mão e ajuda-nos no caminho para que não erremos a estrada, para que não permaneçamos parados: caminhar sempre, mas ajudados por ti».