Com o olhar límpido das fábulas

2012-09-05 L’Osservatore Romano

A escritora dinamarquesaHá uma certa novidade ao repercorrer, mesmo só com o pensamento, os lugares de Karen Christentze Dinesen, baronesa von Blixen-Finecke: antes de tudo, a Dinamarca, onde faleceu há cinquenta anos, no dia 7 de Setembro de 1962, e onde nasceu a 17 de Abril de 1885 na Rungstedlund, antiga hospedaria a meio caminho entre Copenhagen e Helsingør (a Elsinore de Hamlet), hoje casa-museu mergulhada no verde e com vista para o Báltico, onde a jovem navegava com os seus irmãos. O Quénia, «a sua África», continua a exercer grande fascínio, país no qual viveu como empresária no comércio de café de 1914 a 1931, sentindo-se por ele profundamente arrebatada.

Na versão cinematográfica, A minha África venceu, entre outros, o prémio Óscar pela melhor fotografia. Mas é preciso ir até ao fundo entre as cores de Karen BlixenHá duzentos anos era publicado o primeiro volume de «Kinder- und Hausmärchen» dos irmãos Grimm (cuja primeira vocação foi de pintora) e a magia das numerosas narrações, às quais foi buscar livremente, e muitas vezes explicitamente, um rico património literário e fantástico, escandinavo e não só.

É significativo que para ela a África tenha sido um oásis de verdade em antítese com o mundo fascinante mesmo se frequentado com paixão na pátria. «Ao voltar por um breve período à Europa parece estranho que na cidade as pessoas vivam sem se dar conta das fases da lua e quase sem as notar. A lua nova era o sinal de partida para os condutores de camelos de Khadija».

Curiosamente, «aquela pureza na verdade de uma história sincera, que nada contém de injusto em si» foi também a intenção dos irmãos Grimm, de cujo Kinder und Hausmärchen é celebrado este ano, com numerosas iniciativas, o bicentenário do primeiro volume.

Isabella Farinelli