Carta do Santo Padre ao Arcebispo-Mor de Kyiv-Halyč (Ucrânia), por ocasião das exéquias do Cardeal Lubomyr Husar (5 de junho de 2017)

CARTA DO PAPA FRANCISCO
AO ARCEBISPO-MOR DE
KYIV-HALYČ (UCRÂNIA)
POR OCASIÃO DAS EXÉQUIAS
DO CARDEAL LUBOMYR HUSAR

 

A Sua Beatitude
Sviatoslav Shevchuk
Arcebispo-Mor de Kyiv-Halyč

Beatitude!

No dia em que se realiza a celebração do adeus cristão da querida presença terrena do Arcebispo-Mor emérito de Kyiv-Halyč, Cardeal Lubomyr Husar, desejo mais uma vez estar entre os que rezam ao Pai celeste, confiando a Ele a alma eleita do nosso Irmão.

Impele-me a fazê-lo o extraordinário fluxo de pessoas que nesses dias prestaram homenagem ao Cardeal falecido, do qual tomei conhecimento. Esta presença é o sinal eloquente do que ele foi: uma das autoridades morais mais elevadas e respeitadas do povo ucraniano nas últimas décadas.

Dirijo-me a Vossa Eminência, Beatitude, a quem me une uma relação de conhecimento e estima há longo tempo, para lhe confortar na perda de quem lhe foi padre e guia espiritual.

E também para a inteira Igreja greco-católica, que ele recolheu da herança das “catacumbas” nas quais fora obrigada pela perseguição, e à qual restituiu não só as estruturas eclesiásticas mas sobretudo a alegria da própria história, fundada na fé através e além de todos os sofrimentos.

Após um período laborioso e intenso do seu ministério como «padre e chefe» da Igreja greco-católica, com a chegada da velhice e da enfermidade, a sua presença no meio do povo mudou de estilo mas, se possível, tornou-se ainda mais intensa e rica. Ele intervinha quase regularmente na vida do vosso país como mestre de sabedoria: a sua linguagem era simples, compreensível a todos, mas muito profunda. A sua era a sabedoria do Evangelho, era o pão da Palavra de Deus partido para os simples, para os sofredores, para todos os que buscavam dignidade. As suas exortações eram dóceis, mas também muito exigentes. Por todos rezava incessantemente, sentindo que este era o seu novo dever. Muitos se sentiam representados, interpelados e consolados por ele, crentes e não-crentes, inclusive para além das diferenças confessionais. Todos sentiam que falava um cristão, um ucraniano apaixonado pela sua identidade, sempre cheio de esperança, aberto ao futuro de Deus. Tinha uma palavra para cada um, «ouvia» as pessoas com o calor da sua grande humanidade e de uma requintada gentileza. Gostava sobretudo de dialogar com os jovens, com os quais possuía uma excepcional capacidade de comunicar e que sempre numerosos vinham ter com ele.

Comove-me pensar que hoje toda a Ucrânia chora por ele, e que muitos estão certos de que ele já descansa no abraço do Pai celeste. Eles sabem que, depois de ter dado um exemplo de vida coerente e crível, poderão continuar a beneficiar da sua oração, com a qual protegerá o seu povo ainda sofredor, marcado pela violência e pela insegurança, e todavia seguro de que o amor de Cristo não desilude.

Agradecido por esta presença única, religiosa e social na história da Ucrânia, convido-vos a serdes fiéis ao seu constante ensinamento e ao abandono total à Providência. Continuai a sentir o seu sorriso e a sua carícia.

Sobre todos vós, amados Ucranianos, na pátria e na diáspora, invoco a abundância das bênçãos celestes.

Vaticano, 5 de junho de 2017

Francisco